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Carbono é descoberto num exoplaneta.
Escrito por Almirante César   
Qui, 09 de Dezembro de 2010 10:25
wasp-12bDesde sua descoberta em 2008, o WASP-12b tem sido um planeta diferente. Com massa de 1,4 a de Júpiter, o gigante de gás está tão perto de sua estrela-mãe que o gás está sendo despojado de sua atmosfera. Mas isso não é a única propriedade ímpar da atmosfera deste planeta. Um novo estudo mostrou que ele é cheio de carbono. O fato de conter carbono, que é essencial à vida na Terra, abre novas perspectivas nestes estudos.

A descoberta foi publicada na edição de hoje da Nature e foi liderada por Nikku Madhusudhan, um pesquisador pós-doutorado na Universidade de Princeton, em combinação com a Wide Angle Search for Planets (WASP), a equipe que o descobriu o planeta. Ao contrário de outros estudos recentes sobre atmosféras planetárias, este estudo não emprega espectroscopia de trânsito. Em vez disso, a equipe examinou as propriedades reflexivas do planeta em quatro comprimentos de onda, as observações dos quais três vieram de outro estudo, utilizando o Canada-France-Hawaii Telescope, no Havaí.

Para determinar a composição da atmosfera, o fluxo do planeta em cada um desses comprimentos de onda foi então comparado com os modelos de atmosferas planetárias com diferentes composições. Os modelos incluem compostos como o metano, dióxido de carbono, monóxido de carbono, vapor de água e amônia, bem como a distribuição da temperatura do planeta.

O WASP- 12b é um gigante gasoso, como o "nosso" Júpiter, mas o fato de ali ter sido detectada a assinatura do carbono deixa em aberto a possibilidade de existirem planetas rochosos em torno da mesma estrela (ou de outras estrelas) constituídos por este elemento.

No entanto, em nenhum destes júpiteres quentes - a maioria dos 500 exoplanetas identificados, desde que o primeiro foi descoberto, em 1995 - tinha sido até hoje detectado carbono.

"Isto é território novo e vai motivar os cientistas a investigar o que existe no interior destes planetas ricos em carbono", disse o principal autor do artigo em que se descreve a descoberta, Nikku Madhusudhan, que atualmente desenvolve o seu trabalho em astrofísica na universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

Embora, tal como Júpiter, este seja um planeta gasoso e não tenha superfície rochosa para abrigar vida, o WASP-12b inaugura uma nova categoria de planetas extra-solares. É possível que em torno da mesma estrela se tenham formado há milhares de milhões de anos planetas rochosos de dimensões semelhantes às da Terra e também ricos em carbono. A ser assim - e essa é uma hipótese que os astrofísicos vão explorar a partir de agora, procurando esses possíveis planetas -, formas de vida que aí surgissem teriam de sobreviver adaptadas a um mundo com pouco oxigénio e pouca água, e com muito metano, os principais elementos desse mundo distante, segundo a estimativa dos investigadores. Mas, como eles próprios notam, isso acaba por não ser assim tão inverosímil depois de a NASA ter anunciado na semana passada que existe no nosso próprio planeta uma bactéria que se alimenta de arsênico.

Fontes: Diário de Notícias/Universe Today
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